Dr. Wagner Hummig
Especialista em DTM e Dor Orofacial
Mestre em Farmacologia da Dor
CRO-PR 9702 CLM-PR 3034

Bruxismo e Apertamento Dentário

Qual a definição para bruxismo?

O bruxismo do sono é uma atividade oral caracterizada pelo ranger ou apertar dos dentes durante o sono e que, geralmente, está associada com despertares curtos com duração de 3 a 15 segundos, conhecidos como microdespertares2 observados em exame específico de polissonografia do sono. Embora o termo bruxismo origine-se do grego brychein, que significa ranger de dentes, outros nomes têm sido usados para descrever este quadro: neurose do hábito oclusal, neuralgia traumática, bruxomania, friccionar-ranger de dentes, briquismo, apertamento e parafunção oral7,8.

2. AMERICAN SLEEP DISORDERS ASSOCIATION. International classification of sleep disorder: diagnostic and coding manual, revised. 2nd ed. Westchester, 2005. p. 189-192.

7. DORLAND, W. A. Dorland's illustrated medical dictionary. 29th ed. Philadelphia: W.B. Saunders, 2000.

8. FAULKNER, K. B. D. Bruxism: a review of the literature. Part I. Aust. Dent. J., Sydney, v. 35, no. 3, p. 266-276, June 1990.

Qual a diferença entre bruxismo do sono e bruxismo diurno?

O bruxismo do sono se diferencia do bruxismo diurno por envolver: distintos estados de consciência, isto é, sono e vigília; e diferentes estados fisiológicos com diferentes influências na excitabilidade oral motora3,4,11. Assim, o bruxismo diurno é caracterizado por uma atividade semivoluntária da mandíbula, de apertar os dentes enquanto o indivíduo se encontra acordado, onde geralmente não ocorre o ranger de dentes, e está relacionado a um tique ou hábito. Já o bruxismo do sono é uma atividade inconsciente de ranger ou apertar os dentes, com produção de sons, enquanto o indivíduo encontra-se dormindo. O bruxismo do sono também é chamado de bruxismo noturno, mas o termo mais apropriado é bruxismo do sono, pois o ranger de dentes pode também se desenvolver durante o sono diurno.

3. BADER, G.; LAVIGNE, G. Sleep bruxism; an overview of an oromandibular sleep movement disorder. Sleep. Med. Rev., London v. 4, no. 1, p. 27-43, Feb. 2000.

4. CHASE, M. H.; MORALES, F. R. Control of motoeurons during sleep. In: KRYGER, M. H.; ROTH, T.; DEMENT, W. C. (Ed.). Principles and practice of sleep medicine. Philadephia: WB Saunders, 2000. p. 155-168.

11. KATO, T.; MONTPLAISIR, J. Y.; GUITARD, F.; SESSLE, B. J.; LUND, J. P.; LAVIGNE, G. J. Evidence that experimentally induced sleep bruxism is a consequence of transient arousal. J. Dent. Res., Alexandria, v. 82, no. 4, p. 284-288, Apr. 2003.

Quais os possíveis fatores de risco para desenvolver o bruxismo?

Vários são os fatores de risco associados ao bruxismo do sono: idade, tabaco, álcool, cafeína, ansiedade, estresse, transtornos psiquiátricos e do sono, drogas e disfunções temporomandibulares (DTM)14,21. A idade representa um fator de risco dominante, pois o bruxismo do sono diminui com o avanço da idade. O tabaco é considerado um fator de risco moderado para desenvolver bruxismo do sono. Fumantes apresentam risco aumentado em duas vezes de desenvolverem o bruxismo do sono14. Indivíduos que apresentam bruxismo do sono têm de três a quatro vezes mais chances de desenvolver dor orofacial, sons articulares e travamento temporomandibular6.

14. LAVIGNE, G. J.; LOBBEZOO, F.; ROMPRE, P. H.; NIELSEN, T. A.; MONTPLAISIR, J. Y. Cigarette smoking as a risk factor or an exacerbating factor for restless legs syndrome and sleep bruxism. Sleep, Winchester, v. 20, no. 4, p. 290-293, Apr. 1997.

6. DAO, T. T.; LAVIGNE, G. J. Oral splints: the crutches for temporomandibular disorders and bruxism? Crit. Rev. Oral Biol. Med., Alexandria, v. 9, no. 3, p. 345-361, 1998.

21. OHAYON, M. M.; LI, K. K.; GUILLEMINAULT, C. Risk factors for sleep bruxism in the general population. Chest, Northbrook, v. 119, no. 1, p. 53-61, Jan. 2001.

O uso do BOTOX no controle do bruxismo!

O princípio ativo do Botox® é a toxina botulínica, e é um fármaco que age reduzindo a atividade neuromuscular pelo bloqueio da acetilcolina no neurônio motor muscular, e que através deste mecanismo consegue-se reduzir de maneira impressionante a capacidade de apertamento dentário ou bruxismo produzido pelo hábito estereotipado de friccionar os dentes. Desta maneira com uso da injeção de toxina botulínica tipo A (BOTOX) nos músculos da mastigação comprometidos pelo bruxismo, verifica-se uma redução da força muscular em apertar os dentes e consequentemente consegue-se reduzir ou até mesmo eliminar as dores na cabeça e na face oriundas desta musculatura tensionada.

Toxina Botulínica no controle da hiperatividade muscular

Principais características observadas em pacientes

A primeira característica observada é o desgaste dentário, e é como se tivesse passado um esmerilho nos dentes, aplainando-os.

A segunda característica é a presença de fraturas de restaurações e /ou dentes e facetas de desgaste na estrutura dental, assemelhando-se a um dente fraturado (quebrado).

A terceira característica é a presença de mordiscamento na língua, a qual chamamos de língua dentada, pois apresenta o formato dos dentes.

A quarta característica a ser observada é o mordiscamento de bochecha, a qual é caracterizada por uma linha esbraquiçada e elevada na parte interna da boca.

A quinta característica, talvez a mais importante para instigar o paciente a procurar um controle para seu bruxismo, é a dor nos músculos da cabeça, face e articulação temporomandibular (ATM)

E como sexta característica pode-se observar a presença de assimetria facial, ou seja, um lado do rosto é mais desenvolvido do que o outro.